Equipamentos29 de setembro de 20264 min de leitura
Qual filtro escolher, e por que mais vazão não é melhor
Interno, externo, canister: o que muda na prática. E a parte que a caixa não diz — o que faz o trabalho não é a bomba, é a mídia lá dentro.

Na prateleira, o filtro se vende por um número: 300 L/h, 550 L/h, 900 L/h. É o dado mais visível da caixa e o que menos explica se aquele filtro vai manter a sua água boa.
O que limpa o aquário não é a bomba. É a colônia de bactérias que mora dentro do filtro. A bomba só leva água até elas.
Os três tipos, sem enrolação
Interno. Fica dentro do aquário, preso no vidro. Barato, fácil de instalar e suficiente para aquários até uns 100 litros com peixe pequeno. Rouba um pedaço do espaço interno e precisa de limpeza mais frequente, porque o compartimento de mídia é pequeno.
Externo de parede (hang-on). Pendura na borda de trás. Não ocupa espaço dentro da água, é fácil de abrir e aceita mais mídia que o interno. Faz barulho de queda d'água quando o nível baixa — o que é bom, porque avisa que evaporou.
Canister. Fica embaixo do móvel, ligado por mangueiras. Cabe muito mais mídia, mantém o aquário limpo de equipamento e é o caminho para aquário grande ou plantado. Custa mais, e a manutenção é um evento: você tira o pote, abre, lava a mídia no balde com água do próprio aquário.
A conta da vazão
A regra prática: a bomba deve girar o volume do aquário 5 a 10 vezes por hora. Num aquário de 60 litros, isso é entre 300 e 600 L/h.
Passar muito disso não limpa mais rápido — só cria correnteza. Peixe de água parada, como o betta, cansa e se esconde; planta de folha fina deita. E existe um limite físico: água que atravessa a mídia rápido demais passa sem tempo de contato, e a bactéria não processa o que não encosta nela.
Vazão de menos é pior: a sujeira assenta no fundo antes de chegar ao filtro.
O que fica dentro importa mais
A mídia biológica — aqueles cilindros cerâmicos, as esferas porosas — é onde a colônia vive. Ela tem área interna enorme e é isso que você está comprando de verdade. A espuma retém a sujeira grossa e a lã polidora deixa a água cristalina, mas quem converte amônia é a mídia biológica.
Por isso duas regras que parecem manias e não são:
- Nunca lave a mídia biológica na torneira. O cloro mata a colônia. Lave no balde, com a água que você acabou de sifonar do aquário.
- Nunca troque toda a mídia de uma vez. Se for renovar, troque um terço e espere um mês para o resto.
Aqui a gente vende mídia biológica avulsa, em pote e a granel. Quase sempre custa menos encher melhor o filtro que você já tem do que trocar por um modelo maior.
Quando o filtro não é o problema
Se a água está turva mesmo com filtro dimensionado e mídia boa, olhe para o resto: ração demais, peixe demais, troca de água de menos ou filtro lavado na torneira no mês passado. Filtro nenhum compensa carga biológica acima da conta.