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ImpactoAquarismo

Plantas13 de outubro de 20264 min de leitura

Plantas que vivem sem CO₂ (e as que só parecem viver)

Dá para ter aquário plantado sem cilindro, sem substrato fértil e sem luz cara. Escolhendo a planta certa — e sabendo qual delas vai derreter em duas semanas.

Existe uma ideia de que aquário plantado só funciona com cilindro de CO₂, substrato fértil e luminária cara. Existe aquário assim, e é lindo. Mas a maior parte das plantas que a gente vende vive bem sem nada disso — desde que você escolha as certas e aceite que elas crescem devagar.

Crescimento lento, aliás, é a vantagem escondida: menos poda, menos alga, menos manutenção.

As que aguentam o tranco

Anúbia. A mais resistente de todas. Cresce presa em tronco ou pedra, nunca enterrada — o rizoma (aquele caule grosso e rastejante) apodrece se for coberto pelo substrato. Aceita pouca luz, tolera quase qualquer pH e cresce uma folha nova por mês, sem pressa.

Microsorum (samambaia de java). Mesma lógica da anúbia: amarrada no hardscape, nunca enterrada. Folha dura, que peixe herbívoro costuma ignorar.

Musgo de java. Cresce em qualquer lugar, serve de abrigo para alevino e camarão, e é a planta mais barata de multiplicar: um punhado vira um tapete.

Vallisneria. Essa vai no substrato mesmo. Cresce em fita, alta, e se espalha por corredores laterais. Precisa de um pouco mais de luz que as anteriores, mas dispensa CO₂.

Elodea e cabomba. Plantas de caule, para o fundo. Crescem rápido, consomem nutriente — o que ajuda contra alga — e pedem poda a cada duas semanas.

As que parecem fáceis e não são

A planta vendida em pote na prateleira nem sempre é aquática. Boa parte do que se vê por aí é planta de brejo, cultivada fora d'água, que fica bonita por duas ou três semanas submersa e depois derrete. Quando as folhas viram gosma e o caule fica oco, não foi você: era planta terrestre.

Os casos clássicos são as dracenas e algumas espécies vendidas como "bambu da sorte". Elas não são aquáticas.

A gente vende planta cultivada submersa — aquela que já viveu embaixo d'água antes de chegar em você. É por isso que ela não passa pela fase de derreter: não precisa se converter.

O mínimo que elas pedem

  1. Luz por 6 a 8 horas, todo dia, no mesmo horário. Timer barato resolve. Mais horas não fazem crescer mais rápido; fazem alga.
  2. Um pouco de nutriente na água. Num aquário com peixe, o próprio resíduo já entrega nitrogênio e fósforo. O que costuma faltar é ferro e potássio — e um fertilizante líquido semanal, na dose do rótulo, dá conta.
  3. Não desenterrar toda hora. Planta gasta energia refazendo raiz. Escolha o lugar e deixe quieto por dois meses.

Como saber que está dando certo

Folha nova. É o único sinal que importa. Planta que mantém as folhas velhas bonitas mas não emite folha nova está parada, consumindo reserva.

Folha amarelando de dentro para fora costuma ser falta de nutriente; folha com furinhos, falta de potássio; folha que fica transparente e se desfaz, quase sempre é a planta de brejo que não era aquática.

Comece com três anúbias amarradas num tronco. Se em um mês houver folha nova, o seu aquário aguenta plantado — e aí vale conversar sobre o resto.

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